Poucos argumentos no giz e muitos insultos na língua

Inexpressivo, desorganizado, sem apoio popular nem discursos com base ideológica previamente definida. Assim pode ser resumida a atual greve em SP.


Professores em greve no Estado de São Paulo culpam colegas de trabalho pelo fraco alcance da paralisação

Não concordo com o método nem com as reivindicações adotadas por esta greve que sem planejamento estratégico pré-determinado, joga a população contra a categoria denegrindo ainda mais a já humilhada classe trabalhadora. Os rótulos de “vagabundos” que tenho ouvido em diversas fontes da sociedade, especialmente pais de alunos, é uma consequência clara da atitude delirante dos grevistas em achar que população e governo irão se comover com a situação dos professores ao cruzarem os braços.

Simplesmente “parar” e aguardar a reação das massas é um luxo que o professor não tem neste país, pois a população sente mais falta dos coletores de lixo que das escolas. Primeiro é preciso que a população entenda a real importância do papel social que uma “boa educação” tem para o desenvolvimento da qualidade de vida. Isso infelizmente o Brasil ainda não tem, portanto não há como culpar os professores que estão trabalhando pela ineficácia desta paralisação. Os professores que entraram em greve precisam admitir que a reação negativa de alguns e o descaso da maioria é consequência de seus atos impulsivos e carentes de eficácia.

Quem são os professores da rede pública hoje?

Analisando a precariedade da formação de alguns (não todos) professores na rede encontramos algumas respostas sobre porque partem para ofensas entre si e fazem piquetes nas escolas deixando colegas de trabalho em situação desagradável enquanto o governo se protege atrás de veículos de mídia que lucram bilhões anuais em publicidades eleitoreiras (muitas vezes enganosas) pagas com dinheiro público. Logo, não é difícil entender o motivo da mídia em evitar assuntos que ataquem o governo.

Não posso aderir a uma greve que pede a anulação de provas como a aplicada aos OFAs em 2008 (anulada covardemente com uma liminar conquistada pela APEOESP) ou a mesma em 2009 que garantiu meu primeiro vínculo como servidor público em 5 anos de formado fazendo “bico” como professor eventual. Onde esteve este sindicato que permitiu um intervalo de 7 anos sem concurso público para a contratação de professores de história, me obrigando a trabalhar ao lado de colegas que ganham mais para fazer a mesma coisa, simplesmente por ter o vínculo efetivo que nunca me foi dada a chance de conquistar.

Salários baixos, péssimas condições de trabalho e contratação sem concurso provocam o abandono de bons profissionais que migram para setores privados deixando escolas públicas com um alto número de professores mal preparados, minando a base de qualquer chance de desenvolvimento para o país. Fator totalmente ligado ao alto índice de escolaridade de sua população.

É preciso lembrar que quem contrata é o Estado que evita concursos públicos sérios pois, professores contratados e com vínculo custam mais para os cofres públicos, então Estado e sindicato decidem que é melhor manter praticamente metade do contingente como OFAs (temporários).


Brasil sofre goleada da Argentina

Gritamos com orgulho “Tetracampeão” enquanto nuestros hermanos Argentinos gozam de prêmios em reconhecimento a sua arte e inteligência como 2 OSCARS e 3 NOBELS. Eu adoro futebol mas em um mundo globalizado onde impera a lei do custo benefício eu preferia ver meu país reconhecido pela capacitação intelectual e não apenas por um único setor esportivo.

O MEC aprova cursos superiores deficientes, professores despreparados são contratados pelo Estado, pais não se importam com aprendizado mas com o tempo de permanência de seus filhos nas escolas, o governo arranca alguns parcos votos possíveis com um setor marginalizado que é o ensino público, atendendo a demanda por quantidade e ignorando a qualidade e, assim segue-se uma cadeia de interesses onde a vítima é uma sociedade, com seus algozes presentes em todos os setores de seu próprio ambiente.

Sempre reivindico um modo de contratação mais justo pois, os professores são os únicos profissionais da rede pública a não serem contratados (em sua totalidade) mediante concurso. Sou a favor de concursos frequentes para contratação e avaliações periódicas dos professores na ativa para estimular seu contínuo aprimoramento profissional.

Uma pena isso não interessar ao Estado, nem a maioria dos professores e menos a população que ignora o setor.


Tiro pela culatra

A manifestação que deveria conscientizar e tentar conquistar essas pessoas para a nossa causa alcançou  um resultado exatamente contrário, irritando e provocando o estereótipo de vagabundos e desordeiros a classe trabalhadora de ensino superior mais denegrida do país.

Clique aqui e veja o vídeo produzido pela TV UOL e os comentários revoltosos da população paulistana naquele site

Sugestão: Tomar as “calçadas” laterais (em ambos os lados) no maior número de quadras possíveis fariam com que os professores fossem vistos e ouvidos por um número maior de pessoas sem despertar raiva na população mas sim ao governo.

Líderes não são sinônimos de sucesso ou sabedoria. Hitler e Gandi foram líderes mas, enquanto um direcionou seu país a ruína, outro levou seu povo oprimido a liberdade. CUIDADO COM QUEM TE LIDERA!

A Rússia Czarista mandou MILHÕES de CAMPONESES para lutar contra alguns MILHARES de SOLDADOS alemães no início da Segunda Guerra Mundial… você entende essa analogia?

Greve de sucesso não pode priorizar números, mas o efeito de suas ações previamente planejadas.

Paralisação ou paralisia

Professores do Estado de São Paulo aproveitam a sensibilidade do ano de eleição para promoverem greves de funcionários da rede pública de ensino por melhores salários.

Na teoria todos temos direito a greve mas na prática o Governo Serra cria medidas capazes de “penalizar” professores em estágio probatório, contratados por período limitado, OFAs, temporários e substitutos. Sem falar nas ameaças ao bônus e outras gratificações que estrelam publicidades eleitoreiras na TV enquanto funcionam bem para colocar professores em coleiras ou cabrestos.


A greve é uma arma importante mas precisa ser usada com inteligência, estratégia, planejamento, divulgação e manifestação. Caso contrário só servirá para jogar a população contra nós professores e não contra o governo, pois quando paramos o governo sabe o motivo. Já a população, que em sua maioria não se importa com a qualidade da educação mas sim com a capacidade que a escola tem em manter seus filhos ocupados para que possam trabalhar sem o aborrecimento de crianças em casa, encaram os grevistas como vagabundos por desconhecerem as condições humilhantes de trabalho ao qual o professor é exposto diariamente.

Para que o tiro não saia pela culatra…

Precisamos seguir o exemplo de classes trabalhadoras vencedoras no Brasil que conseguiram tantas conquistas que já não é absurdo ver sindicalistas da CUT ponderando exigências uma vez que elas chegaram a provocar aumento nas taxas de desemprego pela perda de interesse em uma contratação dispendiosa pelo setor privado. Como exemplo podemos citar as empregadas domésticas, onde algumas preferem abrir mão de direitos garantidos por lei para conseguir um emprego, pois tal prestação de serviço antes comum a classe média brasileira, hoje se limita àqueles que podem pagar por todos os benefícios que antes não existiam. Absurdo sim é já ter professor sentindo falta do período militar por conta da pior administração no Estado de São Paulo cuja ironia (trágica) é governada por um professor.


E o papel do sindicato?

Que sindicato? Eu poderia deixar esta resposta assim mesmo que não seria um exagero mas o pomposo e retrógrado sindicado dos professores de São Paulo não tem posição firme ou estratégia clara para conseguir junto ao governo saciar as necessidades da classe trabalhadora que detém o mais baixo salário dentre os profissionais públicos que ocupam cargo onde se exige curso superior e concurso público (infelizmente não todos). Apesar da alta arrecadação que o sindicato consegue junto aos professores, quase nada é aplicado na divulgação das injustiças contra estes trabalhadores, me fazendo lembrar a aristocracia francesa do século XVIII, posteriormente clientela da guilhotina (o que ainda me dá alguma esperança de conseguirmos um sindicato de verdade).


“Solte o grito de greve”

Na minha escola não ouvi nenhum grito, só professores pegando suas coisas e indo embora. Não foi assim que outras classes trabalhadoras conseguiram suas conquistas. Greve é uma arma que exige destreza e não podemos usá-la como quem tira um dia para cuidar da sua vida pessoal mas sim ir as ruas e à mídia se fazer ouvir. Os resultados do movimento virão com a qualidade das ações e não apenas com os números de quem aderiu a paralisação, portanto pressionar, discriminar ou fazer piquete nas escolas para impedir os colegas que não querem aderir a greve evidencia a desunião dessa classe trabalhadora que não costuma ouvir e se organizar mas agir por impulso.

Educadores não podem conseguir respeito negando-se a preparar suas aulas, abusando de faltas e licenças, torcendo o nariz para atualizarem suas formações ou apelando às brechas da justiça para anularem seus péssimos desempenhos em avaliações como muitos fazem. O reconhecimento só virá com muita luta e empenho em seu cotidiano, com respeito mútuo e dedicação a causa da qualidade de ensino onde o principal inimigo é o governo em sua busca sem escrúpulos por votos. Ser ativista não significa simplismente cruzar os braços.

O governo é o vírus causador da doença e uma grande parcela de professores que acreditam estar fazendo o possível para melhorar suas condições de trabalho, acabam abandonados pelo próprio sindicato e agindo como um sistema imunológico incapaz de sobreviver ao sistema e mantendo o coma que se agrava a cada década.

Os dizeres “Vem vamos embora que esperar não é saber” já parecem claros a todos

Resta à maioria compreender que “Quem sabe faz a hora não espera acontecer” pois ser ativista não significa simplismente cruzar os braços.


  • Ganhe o mundo aprendendo inglês de qualidade sem gastar muito

  • Enquete

  • Arquivos com todos os posts

  • mais acessados